quarta-feira, 26 de junho de 2013

A TRISTE HISTÓRIA DE JULIA PASTRANA, A MULHER LOBISOMEN!

Julia Pastrana foi um grande enigma para a Era Vitoriana, a começar por suas origens. Diz-se que nasceu em 1834, no seio de uma tribo indígena mexicana, e que serviu como criada na casa do governador de Sinaloa, onde aprendeu os trabalhos domésticos e manuais. Sua carreira começa a ser documentada em 1854, quando ela foi exibida em Nova Iorque como “A Maravilha Híbrida ou Mulher Barbada”.
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Julia Pastrana sofria de hipertricose lanuginosa congênita (ou Síndrome de Lobisomem), um condição congênita na qual o corpo é coberto por uma pelagem quase animalesca, longa e macia. Também tinha um maxilar projetado, orelhas e nariz desproporcionais e hiperplasia gengival.
Tratada como uma aberração, uma curiosidade, um “híbrido entre orangotango e humano” e até mesmo como um possível elo perdido na cadeia evolutiva humana, Julia Pastrana era uma pequena mulher (tinha em torno de 1.35m de altura), graciosa, com uma bela voz de mezzo-soprano, poliglota e habilidosa com as artes manuais, a ponto de se produzir seus próprios figurinos.
Logo após sua morte, Lent deu prosseguimento às suas aspirações comerciais. Vendeu seu corpo, assim como o de seu filho, à Universidade de Moscou, onde foram dissecados e mumificados. A técnica de mumificação usada, ainda desconhecida, conservou a cor, textura e forma dos corpos de forma muito fiel. As múmias foram postas em exibição na própria universidade e mais tarde reclamadas por Lent, que voltou a excursionar pela Europa com elas, casado com outra portadora de hipertricose, apresentada como irmã de Julia.


Em 1837, já uma celebridade no mundo dos circos de horrores, Julia casou-se com seu empresário, Theodore Lent. Em Viena, o marido a proibiu de sair na rua durante o dia e a forçou a passar pelos mais terríveis e humilhantes exames médicos. Nas turnês seguintes, seu controle sobre ela foi aumentado. Em fins de 1859, em Moscou, Julia descobriu-se grávida e os médicos predisseram um parto difícil devido à sua baixa estatura e aos quadris estreitos; ela, contudo, estava mais preocupada se a criança herdaria sua condição. Em 20 de março de 1860, seus medos foram confirmados quando ela deu à luz um menino com hipertricose, que viveu apenas 35 horas. Julia Pastrana morreria cinco dias depois. Nesse meio tempo, Lent vendeu entradas para o parto e para quem quisesse acompanhar a agonia de sua esposa.
Texto: Diários anacrônicos by Pauline Kisner

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